
Para que saibas, hoje vais dormir a casa dos meus pais.Mas como é segredo,Escondo-te debaixo da pia, fria, da cozinha.Hoje vais dormir bem longe.Mais longe do que o prédio da frente/o horizonte.Ai!Ai! Cortaram a garganta ao pobre animal que já não canta.Quero-me queixarQuero-me queixarvenham-me salvarQuero-me queixarDói-me o botão de rosaPerdido na praia de Malvarosa.Os cabelos encaracoladosEncaracolam-se ainda mais.Fazem de mim um marde fadigaDe compota de melão é Esta caixa pequininaGuarda o meu pul~mão de fumadora.Faz de mim aldrabão!Mana não me deixes não existe paz na discussãoMorrerei vestida de pérolas lisas em turbilhão?Os cabelos encaracolados encaracolam-se maisEm uma caixa macia onde poisa uma unha vazia.Os cabelos do meu irmão anãopresumem cair ao chãoDonde os nossos pés já sairampara ir a Malpartidae voltar pelos cemitérios de bonecas.Já recomeçou?Recortaram-te os pés do colchãoo Ajuntamento do Desaparecimentoo Desaparecimento de Irmãoso Desaparecimento de Frigoríficoso Desaparecimento do EsquecimentoESTA GENTILEZA DÁ-ME CABO DA FIRMEZA


